Deles eu não sei o nome, não sei endereço, e-mail ou telefone.
Talvez eu nunca tenha escutado suas vozes, e não me recordo de tê-los visto antes daquela manhã.
Era cedo, ele desceu do ônibus, sério, olhando fixamente para lugar algum.
Ela, já estava lá, distraída, mexia compulsivamente nos cabelos.
Não se falaram, mal se olharam.
Os dias passavam e aqueles encontros mudos já eram esperados e se repetiam diariamente.
Nunca se falaram. Os seus olhares se encontravam algumas vezes, mas não transpareceram nada. Ela, tímida, logo olhava para o chão e rapidamente erguia sua muralha com a cara fechada que não permitia a aproximação. Ele, sempre uma incógnita, olhava para o outro lado sem exitar.
Era tão comum aquele encontro, mas pareciam que não notavam a presença um do outro, muito menos a minha, que atentamente observa o comportamento dos dois.
Até que um dia, ele subiu no ônibus, ela decidiu esperar o próximo. Ele olhou, como se esperasse que ela também subisse. Ela, sempre ríspida, fingiu não ter notado. O ônibus partiu...
Se ela subisse ali nada mudaria, continuariam sem se olhar. Era só o hábito comum aos dois de estarem sempre no mesmo espaço.
Não sei o resto da história,, mas acredito que siga assim, do mesmo jeito.
Ela, certamente lembrará dele, eu sei, parece ter boa memória.
Ele, bem, dele já não posso falar. Era intraduzível e isso me incomodava, não consigo descobrir ou interpretar o que nele acontecia.
Mas, isso não significa que sentiam alguma coisa.
Na verdade, não havia sentimento ali... Eram apenas dois estranhos em um ponto de ônibus sendo observados por uma estranha que já imaginava o tema de seu próximo texto.
[Mariana Oliveira]
20 de ago. de 2010
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Palavras que me deixaram sem as próprias'
ResponderExcluirDelly'
Gosto DE VERDADE dos teus textos, Mari.=)
ResponderExcluirMuito obrigada, fiquei realmente muito feliz ao ler esses comentários.
ResponderExcluirDelly, tu é tu! *-*
Dk,ler o teu blog me inspira visse :)