27 de out. de 2010

Diálogo... Ou seria monólogo?

-Você é sempre do mesmo jeito.
- Eu? Como assim?
-Tem sempre o mesmo sorriso, quase não fala.
- Tem certeza que é de mim que você está falando?
- Mas é claro...
- Então, sinto dizer que você está redondamente enganado. Você não me conhece.
-Não?
-Não. Se me conhecesse saberia que não tenho um único sorriso. Tenho um modo de sorrir quando estou sendo irônica, quando estou encabulada, quando estou realmente feliz. E eu não preciso falar para falar, se é que você me entende. Você simplesmente não consegue me ler. Eu falo, mas não necessariamente com palavras. Meu olhar fala, meu silêncio fala.
E tudo se calou naquele momento, o chão parecia sumir e ela, sem pensar levantou-se e olhando fixamente para frente seguiu, não olhou para trás em nenhum momento embora sua força não tenha sido suficiente para conter as lágrimas que corriam como rios em seu rosto.
[Mariana Oliveira]

23 de out. de 2010

Gaditas

Ouvi a história de um povo guerreiro, filho da tribo de gade, o 8º filho de Israel, conhecido por sua coragem e valentia. Povo com rosto de leão, olhos de águia e pés de corsa; O menor deles valia por cem, e o maior por mil.
Certo dia, 3 gaditas, servos de um rei sábio e respeitado, foram ao território inimigo em busca de água para seu rei; Eles não eram obrigados a buscar daquela água, mas se arriscaram para servir ao Rei.
Isso fez deles excelentes em tudo o que fizeram! No entanto, esta linhagem de servos, príncipes, guerreiros, não está morta e não é apenas parte de uma história, é a realidade de uma geração que está viva e entrando em ação.

(Manuella T. Dutra de Almeida)

Sangue

Existem várias coisas tidas como poderosas, coisas que expressam autoridade e que servem de apego aos homens para se sentirem seguros e norteados. Uns depositam sua confiança em carros ou em qualquer outro bem, em cargos e em pessoas.
Outros acreditam no poder de um Sangue! Líquido poderoso, misterioso, que traz vida e ratifica alianças. Essas pessoas têm suas armas e as peças de sua armadura mergulhadas e marcadas por este sangue.
Ele provém de um sacrifício perfeito, um sacrifício de amor. Por esse amor, o sangue não carrega apenas proteínas, elementos figurados e coisas afins; Mas carrega, especialmente Honra! Honra esta que é conhecida pelos inimigos deste povo antes mesmo de conhecê-los.
(Manuella T. Dutra de Almeida)

16 de out. de 2010

Só, lá, si.

Ela tinha memória “auditiva”, músicas sempre estavam associadas a um momento de sua vida.
Não que tivesse vivido tantos momentos assim, mas fazia de seus poucos e para alguns, monótonos momentos, os mais especiais.
Sua mente parecia uma estação de rádio, a todo instante podia ouvir canções dentro de si.
Associava música a momentos, pessoas, lugares, sentimentos.
Um fone de ouvido tornava-se o seu melhor amigo e unido a um ônibus, chuva , era o cenário perfeito, seu mundo.
Pois bem, achava música para tudo, menos para ela.
Faltava uma música que a fizesse pensar sobre ela mesma, nela mesma.
Mas ela não se importava, enquanto pensava nessas coisas, mais uma música tocava, sua memória acordava e um singelo sorriso era esboçado em sua delicada face.
Talvez algum dia ela venha ter uma música só sua!
[Mariana Oliveira]

4 de out. de 2010

A porção melhor.

Era noite, ela acordou com o barulho do mar e as ondas lambendo suas pernas.
Não sabia como estava ali, nem o porquê.
Procurava por vozes inaudíveis, estava sozinha. Percebeu que ali seria seu momento, podia fazer o que sempre sentiu vontade: correu pela praia, cantarolando sua canção favorita, brincou de artista com os cabelos ao vento, poderia ser quem quisesse. Não sentiu medo. Era única, sozinha, mas não se sentia solitária.
Depois de rir sozinha, voltou a questionar sobre o que estava fazendo ali e quem a levara.
Lembrou-se que tinha ido para aquela bela praia ouvir o mar, ver as ondas baterem nas pedras, iluminar-se pela lua.
Tudo lhe pertencia, aquilo era sua porção maior e a melhor, era um mundo externo bem maior que seus contos de fadas infantis.
E para chegar lá? Bem, para isso contou com a ajudinha de uma velha amiga: Imaginação...
O despertador tocou....
[Mariana Oliveira]

1 de out. de 2010

Acanhamento

Mãos suadas e trêmulas, bochechas avermelhadas , sorriso sem graça e olhos voltados para os pés.
Falta lugar pra pôr as mãos,falta lugar para olhar. O chão parece sumir e o mundo parou para te observar.
Vontade incessante de sair correndo, o ar parece faltar, aumenta a sensação de estar dentro de uma caixa que vai diminuindo, diminuindo... Dá para sentir o bater de asas das borboletas ao dançarem no estômago.
Ah, timidez. Terrível timidez, doce timidez.
[Mariana Oliveira]