24 de jun. de 2011

Tendo, sendo, vivendo.

Era como mergulhar em um rio e não se molhar. passava por vários lugares e a sensação que tinha era que nada absorvia, aliás, não tinha sensação alguma.
Lia mas não compreendia, olhava mas não enxergava, prosseguia assim, vivendo um dia de cada vez e fazendo de tudo para que aquelas 24 horas passassem o mais rápido possível,mesmo sabendo que não passariam.
Não caminhava com suas próprias pernas, era levado pelo turbilhão de pessoas e obrigações a sua volta. Até tentou fazer o caminho contrário, mas a sua força não era suficiente, sempre era vencido, sufocado pela rotina.
uma semana,um mês, um ano... Um tempo se ser, sem estar, sem ter. Verbos no infinitivo não satisfazem, é preciso mais, bem mais, é preciso conjugá-los em todas as pessoas, em todos os tempos, em todas as formas.
Infinitas são as coisas que ninguém pode fazer por você. Não faltava ajuda, faltava coragem.
[Mariana Oliveira]

11 de jun. de 2011

Por trás dos arbustos

Estava sozinha no jardim, sentada na namoradeira de ferro batido que se destacava com sua brancura em meio a tanto verde, sem esquecer as flores amarelas que estavam por todo lugar. O silêncio no jardim era inspirador, e o barulho das águas da fonte exercia sobre mim um domínio incontestável, trazia-me tranqüilidade. Até que um ruído quebrou o silêncio e voltou minha atenção para os arbustos à minha direita que balançavam de acordo com aquele som confuso. Mesmo assustada, andei em direção aos arbustos buscando descobrir o causador dos ruídos; por trás das folhas algo branco mexia-se tentando esconder-se, quanto mais tentava, mais mostrava que ali estava. Quando afastei os pequenos galhos que furavam minhas mãos, encontrei um coelho lindo, branco como o leite, com os olhos arregalados, olhando-me com medo. Peguei-o nos braços e senti seu pêlo acariciar as feridas que os galhos fizeram em minhas mãos. Na tentativa de esconder-se, Ele me fez notá-lo! Tirei do seu pêlo os pedaços de folha dos galhos, sentindo uma satisfação imensa por tê-lo encontrado. Valeu a pena as feridas, hoje saradas, pois o coelho anda livremente pelo jardim, fazendo dele um lugar ainda mais encantador.

[Manuella Dutra]