Deixamos pra amanhã a tarefa não cumprida;o sorriso não oferecido, assim como o abraço apertado num amigo.
Deixamos pra amanhã a leitura de um livro; uma palavra doce ou uma palavra dura;a mais sincera atenção.
Amanhã, deixamos tantas coisas pra fazer no dia seguinte, sem ao menos saber se ele existirá. Por cautela, por cuidado, por medo ou por vontade de se preservar, o fato é que deixamos para amanhã. Fazemos da nossa vida uma reserva colossal de um tempo que talvez não exista, ou exista de tal maneira que não seja percebido. Grandeza, coragem, nem sempre se mostram. É preciso ser bom, é preciso ser grande, mas, sobretudo, é preciso se compreender, entender que amanhã não serei a mesma de hoje e depois mudarei, e mudarei e mudarei, continuarei mudando. Triste é não mudar, o que é inflexível tem mais chance de quebrar. Valorizar cada instante, compreender o silêncio de uma companhia calada, mas ver a paz que isso te traz. Aliás, é essa paz que vem acompanhada de uma liberdade inenarrável. Liberdade esta que traz a necessidade de ser responsável e isso te torna grande, te torna bom o bastante pra se reconhecer e modificar, mudar a forma de si mesmo. E, saiba compreender que não expressar não é não sentir. Mudar não é falhar. Delicadeza não é fragilidade. Misturar as coisas não é loucura. Mas, escrever, ah escrever... É como pegar o seu amanhã e... Lá vou eu falar do tal do amanhã de novo. Vamos deixar que o amanhã se torne o presente, em todos os sentidos que essa palavra possa aparecer. Deixaremos o amanhã pra amanhã, ou não...
[Mariana Oliveira]
23 de jan. de 2011
10 de jan. de 2011
Alguma...
Olhava fixamente para a formiga que caminhava na parede e continuaria imóvel até escutar o terceiro toque do telefone. Do outro lado da linha, era só mais um engano.
Os dias quentes lhe permitiam sentar num degrau da escada e já era de se esperar que a encontrassem lá, sentada, olhando atentamente o céu mudar de cor ao anoitecer. Para ela a noite não era o fim do dia, era apenas uma singela continuação. Achava essa naturalidade tão bela e por um instante acreditava viver um momento unicamente seu.
Tudo lhe revelava. As unhas roídas, os cabelos em uma trança cuidadosamente desalinhadas, os lábios levemente rosados, contrastando com a palidez de sua face com leves algumas marcas avermelhadas, já que tudo marcava sua pele com tão grande intensidade, assim como a sua alma, fortemente marcada por situações visivelmente leves, afinal tinha sensação que tudo lhe exigia demais, fazia cobranças exageradas acerca dela mesma.
Gostava de filmes antigos e imaginava-se naquelas roupas, com aqueles princípios, com aquelas características e a cada novo dia tinha quase certeza de que nascera na época errada, ou não pertencia a esse planeta.
[Mariana Oliveira]
Os dias quentes lhe permitiam sentar num degrau da escada e já era de se esperar que a encontrassem lá, sentada, olhando atentamente o céu mudar de cor ao anoitecer. Para ela a noite não era o fim do dia, era apenas uma singela continuação. Achava essa naturalidade tão bela e por um instante acreditava viver um momento unicamente seu.
Tudo lhe revelava. As unhas roídas, os cabelos em uma trança cuidadosamente desalinhadas, os lábios levemente rosados, contrastando com a palidez de sua face com leves algumas marcas avermelhadas, já que tudo marcava sua pele com tão grande intensidade, assim como a sua alma, fortemente marcada por situações visivelmente leves, afinal tinha sensação que tudo lhe exigia demais, fazia cobranças exageradas acerca dela mesma.
Gostava de filmes antigos e imaginava-se naquelas roupas, com aqueles princípios, com aquelas características e a cada novo dia tinha quase certeza de que nascera na época errada, ou não pertencia a esse planeta.
[Mariana Oliveira]
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