6 de set. de 2011

Mudança e Essência

Desde que ouvi que não existe evolução sem que haja mudanças, resolvi não só lembrar destas palavras, mas tê-las como ideal. Não como meta, como projeto, mas como o ideal sonhado, pensado, idealizado e não colocado em prática. Esta foi a premisssa que ao invés de me impulsionar a mudar em mim o que era necessário, me calejou a pensar igual e não mudar. Ela tornou-se algo representativo e sem nenhum sentido, como uma reza que é dita sem que se perceba o real sentido das palavras. Lutei contra minha tendência natural de agrupar letras sem sentido e passei a analizar cada verbo, cada ligação entre frases e palavras, cada artigo e enfim o sujeito. O sujeito MUDANÇA, que é só uma palavra quando se insiste em estar no mesmo lugar, em ver as mesmas cores, em continuar andando no meio da multidão. Então hoje, só não mudo minha identidade que é única, imutável e indelével. Mas o que pode ser refultado, alterado, movido e melhorado, isto sim, me dedico a mudar. Existem lugares melhores, cores mais vivas, caminhos mais lindos com fins melhores. O maior desafio que se tem quando se decide mudar é saber combinar o novo com a própria essência. Pois mudar é evoluir, mas fugir da essência é ignorância.

(Manuella Dutra)

27 de jul. de 2011

EU x EU

É nos dias frios que me confronto com meu eu, com meu reflexo embaçado nas janelas molhadas, com meus sentimentos tolos imperceptíveis por fora.
Neste confroto saiu como um soldado vencido da guerra, quem ganha é o meu eu
meu eu bobo, teimoso, que vê a iminência de uma tragédia e mesmo assim insiste em correr o risco. O risco de andar em um campo minado e desnivelado.
Na verdade, eu fico a mercê deste eu que obedece a outro eu e me escraviza a um eterno medo, medo que o próximo passo seja o passo que escolha, sem nenhuma sorte, a mina preparada para tornar dele o último passo, o fim da dança neste compasso.

[Manuella Dutra]

24 de jun. de 2011

Tendo, sendo, vivendo.

Era como mergulhar em um rio e não se molhar. passava por vários lugares e a sensação que tinha era que nada absorvia, aliás, não tinha sensação alguma.
Lia mas não compreendia, olhava mas não enxergava, prosseguia assim, vivendo um dia de cada vez e fazendo de tudo para que aquelas 24 horas passassem o mais rápido possível,mesmo sabendo que não passariam.
Não caminhava com suas próprias pernas, era levado pelo turbilhão de pessoas e obrigações a sua volta. Até tentou fazer o caminho contrário, mas a sua força não era suficiente, sempre era vencido, sufocado pela rotina.
uma semana,um mês, um ano... Um tempo se ser, sem estar, sem ter. Verbos no infinitivo não satisfazem, é preciso mais, bem mais, é preciso conjugá-los em todas as pessoas, em todos os tempos, em todas as formas.
Infinitas são as coisas que ninguém pode fazer por você. Não faltava ajuda, faltava coragem.
[Mariana Oliveira]

11 de jun. de 2011

Por trás dos arbustos

Estava sozinha no jardim, sentada na namoradeira de ferro batido que se destacava com sua brancura em meio a tanto verde, sem esquecer as flores amarelas que estavam por todo lugar. O silêncio no jardim era inspirador, e o barulho das águas da fonte exercia sobre mim um domínio incontestável, trazia-me tranqüilidade. Até que um ruído quebrou o silêncio e voltou minha atenção para os arbustos à minha direita que balançavam de acordo com aquele som confuso. Mesmo assustada, andei em direção aos arbustos buscando descobrir o causador dos ruídos; por trás das folhas algo branco mexia-se tentando esconder-se, quanto mais tentava, mais mostrava que ali estava. Quando afastei os pequenos galhos que furavam minhas mãos, encontrei um coelho lindo, branco como o leite, com os olhos arregalados, olhando-me com medo. Peguei-o nos braços e senti seu pêlo acariciar as feridas que os galhos fizeram em minhas mãos. Na tentativa de esconder-se, Ele me fez notá-lo! Tirei do seu pêlo os pedaços de folha dos galhos, sentindo uma satisfação imensa por tê-lo encontrado. Valeu a pena as feridas, hoje saradas, pois o coelho anda livremente pelo jardim, fazendo dele um lugar ainda mais encantador.

[Manuella Dutra]

17 de mai. de 2011

Bagagem

Sim, eu também sei ser forte. E talvez, esse lado você não conheça.
Já achei que iria secar todas as minhas lágrimas e não sequei. Já acreditei que não sabia chorar e exatamente por isso chorei. Sorri enquanto ninguém achava graça, já me fiz inúmeras promessas e não cumpri. Jurei não acreditar em mais ninguém e mais uma vez falhei, felizmente falhei! Já corri com medo da chuva e me molhei do mesmo jeito.
E tantas outras coisas mudaram, tantas outras ficarão pelo caminho, algumas causarão mais dor, outras serão abandonadas sem nenhum sofrimento. É sempre assim, a gente esvazia a mala para que outras coisas caibam, não é desumano ou desapego, é apenas lógica: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.
[Mariana Oliveira]

10 de mai. de 2011

Só, somente...

Algumas vezes, o necessário não é pedir para alguém ficar. É preciso segurar em sua mão e acompanhar, silenciosamente, cordialmente, amigavelmente.
Nem sempre um "estou bem" significa estar realmente bem. Às vezes, a boca fala mas os olhos discordam.
Talvez seja impossível reconhecer a paz sem antes viver o caos, sem antes passar por chuvas torrenciais, desertos tão intensos e silêncio atormentador.
Mas, chegará o dia em que quando menos se espera, haverá uma saída e será necessário somente seguir. Esse, será o sinal que você não se perdeu na imensidão de ser. E acredite meu amigo, você venceu a maior das batalhas: O seu eu X o seu eu.
[Mariana Oliveira]

11 de abr. de 2011

Desenhando a infinidade do seu/meu traçado.

Correndo em círculos, traçando pegadas em cima daquelas que acabei de deixar, as palavras de sempre, os textos de sempre, as músicas de sempre.

Tudo que precisava era tracejar uma nova linha e de preferência, reta e sem volta. Precisava seguir, seja lá onde tudo isso fosse dar. Era o preço a ser pago para manter a pureza. E quando chegasse ao fim da linha traçaria outro e mais outra e então, ao vencer a incerteza, o ego, o medo, o orgulho e a desconfiança, a linha se tornaria apenas imaginária, e o caminho a ser percorrido não se limitava a ligação de um ponto a outro, de um início a um fim. Agora, existiam linhas imaginárias, tracejadas em conjunto e que se encontram, se entrelaçam, se esbarram, se confundem. É nessas linhas que encontro você e acredite, não poderia ser outra pessoa, pelo único e simples fato de ninguém conseguir ser você. Logo, aceito o fato de que falar em 2° ou 3° pessoa cansou. Assumo então e sem indignação: Você agora sou eu.
[Mariana Oliveira]

20 de fev. de 2011

Sobre amor/amar

Acho que amar é sarar rapidamente suas feridas só pra ajudar um amigo a sarar as dele, ver beleza no que é visto todos os dias, é um chocolate num dia frio, é um filme no dia nublado, é superar seus próprios medos, a comida da mãe no domingo, a velha coca-cola no almoço. É escutar uma canção no ônibus, é não querer nada, é esperar, é sofrer, é roer as unhas por causa da mistura de nervosismo e alegria, é respeitar, é oferecer um sorriso largo sem esperar nada em troca, é parecer bobo, é compreender, é não entender, é escrever sem parar, é escolher uma frase, é uma conversa no silêncio, é a alegria do seu cãozinho ao vim te receber depois de um longo dia, é não dominar as borboletas no estômago. Deve ser assim. Sei tão pouco sobre o amor, mas a gente já nasce descobrindo o que é amar. Na verdade, nada é preciso saber, acho que amar é descobrir junto.
[Mariana Oliveira]

23 de jan. de 2011

Futuro do presente.

Deixamos pra amanhã a tarefa não cumprida;o sorriso não oferecido, assim como o abraço apertado num amigo.
Deixamos pra amanhã a leitura de um livro; uma palavra doce ou uma palavra dura;a mais sincera atenção.
Amanhã, deixamos tantas coisas pra fazer no dia seguinte, sem ao menos saber se ele existirá. Por cautela, por cuidado, por medo ou por vontade de se preservar, o fato é que deixamos para amanhã. Fazemos da nossa vida uma reserva colossal de um tempo que talvez não exista, ou exista de tal maneira que não seja percebido. Grandeza, coragem, nem sempre se mostram. É preciso ser bom, é preciso ser grande, mas, sobretudo, é preciso se compreender, entender que amanhã não serei a mesma de hoje e depois mudarei, e mudarei e mudarei, continuarei mudando. Triste é não mudar, o que é inflexível tem mais chance de quebrar. Valorizar cada instante, compreender o silêncio de uma companhia calada, mas ver a paz que isso te traz. Aliás, é essa paz que vem acompanhada de uma liberdade inenarrável. Liberdade esta que traz a necessidade de ser responsável e isso te torna grande, te torna bom o bastante pra se reconhecer e modificar, mudar a forma de si mesmo. E, saiba compreender que não expressar não é não sentir. Mudar não é falhar. Delicadeza não é fragilidade. Misturar as coisas não é loucura. Mas, escrever, ah escrever... É como pegar o seu amanhã e... Lá vou eu falar do tal do amanhã de novo. Vamos deixar que o amanhã se torne o presente, em todos os sentidos que essa palavra possa aparecer. Deixaremos o amanhã pra amanhã, ou não...
[Mariana Oliveira]

10 de jan. de 2011

Alguma...

Olhava fixamente para a formiga que caminhava na parede e continuaria imóvel até escutar o terceiro toque do telefone. Do outro lado da linha, era só mais um engano.
Os dias quentes lhe permitiam sentar num degrau da escada e já era de se esperar que a encontrassem lá, sentada, olhando atentamente o céu mudar de cor ao anoitecer. Para ela a noite não era o fim do dia, era apenas uma singela continuação. Achava essa naturalidade tão bela e por um instante acreditava viver um momento unicamente seu.
Tudo lhe revelava. As unhas roídas, os cabelos em uma trança cuidadosamente desalinhadas, os lábios levemente rosados, contrastando com a palidez de sua face com leves algumas marcas avermelhadas, já que tudo marcava sua pele com tão grande intensidade, assim como a sua alma, fortemente marcada por situações visivelmente leves, afinal tinha sensação que tudo lhe exigia demais, fazia cobranças exageradas acerca dela mesma.
Gostava de filmes antigos e imaginava-se naquelas roupas, com aqueles princípios, com aquelas características e a cada novo dia tinha quase certeza de que nascera na época errada, ou não pertencia a esse planeta.
[Mariana Oliveira]