4 de jun. de 2010

A menina invisível.

Invisível, ela sempre se sentiu assim, desde a sua infância. Milhões de vezes as pessoas esbarravam nela, até pediam desculpas, mas não observavam seu rosto, muito menos seus grandes olhos castanhos.
Acostumara a ser sempre assim, até gostava... Sua timidez sempre foi exacerbada e um simples elogio já era motivo para suas bochechas ficarem vermelhas e as mãos trêmulas...
Cresceu assim, não era a mais bela, nem tão pouco era simpática.
Mas, alguém a percebeu, viu aquela menina que tantos julgavam “anormal”.
Ela não compreendeu como alguém conseguiu notá-la , enxergá-la em meio a seus próprios mitos e lendas. Alguém conseguiu achar graça na sua seriedade, alguém quis derreter seu gélido coração, encantou-se com suas palavras... Não as palavras faladas, afinal, ela mal falava; mas as palavras escritas, que sempre foram suas amigas.
Ela achou tudo tão estranho.
“Como assim alguém me notou de verdade?”
E, com um tímido sorriso, surgindo naquele rosto tão pálido e sem graça, percebeu que poderia ser notada, ela existia e agradecia por esse alguém tê-la feito perceber.
Finalmente percebeu que poderia parar de andar olhando para seus próprios pés... Ela não precisava disso, na verdade, nunca precisou.
(Mariana Oliveira)

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